Saturday, September 5, 2026

Tax Lien e Tax Deed: quando um imóvel barato pode custar uma vida

 


Investir em imóveis nos Estados Unidos tornou-se sonho cada vez maior de americanos, brasileiros e estrangeiros que buscam renda, segurança patrimonial e construção de riqueza. Isso é fato!

Nesse cenário, tax liens e tax deeds são frequentemente apresentados como oportunidades extraordinárias: propriedades abaixo do valor de mercado, juros elevados e possibilidade de lucros expressivos. Isso também é fato! Isso é real!

Tudo parece perfeito; até o investidor descobrir que muitas das vezes o imóvel adquirido não está vazio. Isso também é fato! Isso também é real! E acontece com muito mais frequência do que é divulgado!

Existe um lado sombrio desse mercado, que tem sido abafado por décadas, que dificilmente aparece nos cursos, seminários e vídeos promocionais: o risco humano envolvido na retirada de uma pessoa ou família de sua residência.

Devido a trágica estatística que não dá nenhum sinal de desaceleração, o Eviction Lab, centro de pesquisas ligado à Princeton University, uma das mais conceituadas universidades dos Estados Unidos, começou em julho de 2021, a monitorar notícias sobre episódios fatais relacionados a despejos. Segundo investigação publicada pela Gray Television/InvestigateTV, foram documentadas pelo menos 38 mortes em 2022 e 44 em 2023, ou seja, 82 mortes! O The Guardian já havia reportado mais de 80 mortes relacionadas a despejos desde o início do monitoramento.

Esses números não constituem uma estatística governamental completa. O levantamento depende de notícias publicadas pela imprensa porque os Estados Unidos não possuem um sistema nacional específico para registrar mortes durante despejos. Consequentemente, o total verdadeiro pode ser maior.

As vítimas podem incluir moradores, familiares, proprietários, funcionários judiciais, policiais e os próprios agressores.

Em fevereiro de 2024, no Missouri, um funcionário do tribunal e um policial foram mortos durante o cumprimento de uma ordem de despejo. Outros dois policiais ficaram feridos, conforme noticiado pela Associated Press.

A crise não termina nos confrontos. Estudo baseado no sistema de mortes violentas do CDC - U.S. Centers for Disease Control and Prevention, identificou 929 suicídios relacionados a despejos ou execuções hipotecárias, entre 2005 e 2010, em apenas 16 estados. Em 79% dos casos, a morte ocorreu antes da perda efetiva da moradia. Não podemos esquecer a estatística foi montada somente em cima de 5 anos, e ainda faltam os números de 34 estados!

Isso significa que tax lien e tax deed são investimentos ruins? Não! No meu entendimento e de milhões, significa que tratá-los como dinheiro fácil é muito questionável.

Antes de dar um lance, o investidor precisa investigar ocupação, prazo de resgate, condição do título, dívidas, possibilidade de desocupação e legislação local. Jamais deve comparecer pessoalmente ao imóvel para ameaçar, pressionar ou remover ocupantes. Essa função pertence às autoridades e aos profissionais habilitados.

A pergunta decisiva não é somente “quanto posso lucrar?”. É também: quem está dentro do imóvel, como essa pessoa reagirá e quanto estou preparado para perder se a oportunidade se transformar em confronto?

No papel, você pode estar comprando uma propriedade. Na vida real, talvez esteja entrando no pior dia da vida de alguém. E, em alguns casos, esse dia também poderá se tornar o pior, ou o último da sua.

Estou em desestimulando você a investir em Tax Lien e Tax Deed? Também não. O que quero é chamar a sua atenção, e estimular você a fazer muito bem o seu dever de casa, sempre escolhendo os imóveis já desocupados.

E porque decidi escrever essa matéria? 

Já acompanho isso há muitos anos. E como mencionado acima, a estatística que você leu foi somente em cima de 5 anos, e 16 estados. E os anos anteriores? E quais os registros de 2010 até a data de hoje nos 50 estados? 

Essa semana mais uma ocorrência trágica com duas vidas aconteceu na cidade de Minneapolis, no estado de Minesota. Daí, esse post!

Como se diz aqui nos Estados Unidos, agora você sabe!

Friday, August 7, 2026

Flórida continua atraindo moradores de outros estados em 2026


 

O Estado Republicano da Flórida continua atraindo moradores de outros estados em ritmo expressivo.

Dados do Departamento de Segurança Rodoviária e Veículos Motorizados da Flórida mostram que mais de 200 mil pessoas transferiram suas carteiras de motorista para o estado no primeiro semestre de 2026, o maior volume desde 2023.

Nova York, estado democrata, liderou as origens, com 23.436 transferências, seguida por Geórgia, com 12.699; Nova Jersey, com 11.831; Califórnia, com 11.076; e Texas, com 11.032.

Entre os destinos, Miami-Dade, Sul da Flórida, recebeu 13.206 novos motoristas, Palm Beach, 12.794, e Hillsborough, 12.087. Orange, Broward, Lee, Duval e Pinellas também aparecem entre os condados mais procurados.

Embora os registros não mostram quem deixou a Flórida, crianças, não motoristas ou imigrantes internacionais, economistas consideram os dados valiosos por oferecerem uma visão quase em tempo real das tendências migratórias. Informações comparáveis do Censo ou do Internal Revenue Service, Receita Federal dos Estados Unidos, podem demorar até dois anos.

O movimento atual supera os números de 2024 e 2025, mas permanece abaixo do auge da pandemia. No primeiro semestre de 2021, foram 215.412 transferências; em 2022, 243.421. O crescimento daquele período foi impulsionado pelo trabalho remoto, pelas restrições mais severas em estados como Nova York e Califórnia e pelas taxas hipotecárias inferiores a 3%.

Especialistas afirmam que os resultados contradizem a narrativa de uma saída generalizada da Flórida. Miami-Dade e Palm Beach seguem atraindo empresas e profissionais, especialmente dos setores financeiro e tecnológico. Palm Beach ganhou o apelido de “Wall Street South”, enquanto Miami consolidou sua posição como polo de tecnologia.

Os novos moradores “fugindo” na maioria das vezes dos estados democratas, dizem que a decisão envolveu clima, hospitalidade, segurança, impostos, cultura, política e custo de moradia, como por exemplo o sul da Califórnia.

A tendência reforça a contínua força econômica e demográfica estadual que não está dando sinal de desaceleração.

Wednesday, July 22, 2026

O Grande Deslocamento: Por Que Milhares de Americanos Estão Trocando Califórnia e Nova York por Texas e Flórida


Os Estados Unidos vivem uma das maiores reconfigurações demográficas das últimas décadas. 

Dados do U.S. Census Bureau que corresponde ao IBGE no Brasil, mostram que Texas ganhou cerca de 391 mil novos residentes entre julho de 2024 e julho de 2025, o maior volume absoluto do país, seguido pela Flórida, com quase 197 mil. Aos que acompanham, é nítida essa saudável competição entre os dois estados.

Como aprendi aqui, cidade compete com cidade, condado compete com condado, e estado compete com estado.

Do outro lado, Califórnia, Nova York, Illinois e Nova Jersey seguem perdendo população para outros estados. A Califórnia seria a 50ª colocada, em último lugar, no U-Haul Growth Index pelo sexto ano consecutivo.

O motivo mais citado é incompatibilidade e aceitação com o governo democrata, que atinge em cheio o bolso: impostos estaduais elevadíssimo, violência descontrolada, a agenda woke ainda firme e forte, tudo isso afetando a qualidade de vida. 

E hoje com o avanço do trabalho remoto, os profissionais passaram a ter mais flexibilidade e liberdade, não precisando viver perto do escritório. Texas e Flórida, sem imposto de renda estadual, tornaram-se destinos naturais.

Esse movimento não afeta apenas o mercado imobiliário. Construtoras, escolas, seguradoras, hospitais e até o comércio local sentem o impacto em cidades como Austin, Dallas e Tampa, que crescem em ritmo acelerado, enquanto regiões de origem enfrentam desafios como base tributária menor e mudanças na representação política no Congresso.

Vale um ponto de atenção: o quadro é mais complexo do que o rótulo "fuga de estados democratas" sugere. 

A migração internacional continua sustentando o crescimento populacional de estados como Califórnia e Nova Jersey, e cidades grandes voltaram a atrair moradores após anos de interesse por cidades menores durante a pandemia.

Para empreendedores e investidores brasileiros nos EUA, entender essa dinâmica é essencial: novos polos de oportunidade estão surgindo — e não apenas no setor imobiliário.

Tuesday, June 16, 2026

Mercado Imobiliário da Flórida no segundo semestre de 2026: Normalização. Não Colapso

 


O mercado imobiliário da Flórida entrou já no segundo semestre de 2026 em uma fase de normalização, e não de declínio. 

Ao contrário das previsões dos profetas do apocalipse de uma grande queda no setor, o mercado residencial do estado demonstrou resiliência, especialmente no segmento de casas unifamiliares. 

O preço mediano estadual dessas propriedades permaneceu próximo de US$ 420 mil durante o primeiro semestre do ano, enquanto o volume de vendas apresentou crescimento moderado em comparação ao ano anterior. 

Ao mesmo tempo, a oferta de imóveis aumentou em relação às condições extremamente restritas observadas entre 2021 e 2023, proporcionando aos compradores mais opções e maior poder de negociação.

O segmento de condomínios apresenta uma realidade diferente. Condomínios mais antigos, especialmente nas regiões costeiras, enfrentam pressão crescente devido ao aumento dos custos de seguro, exigências mais rigorosas de financiamento, maiores reservas obrigatórias para manutenção e expansão da oferta disponível. Como resultado, esse mercado vem apresentando desempenho mais fraco do que o segmento de casas unifamiliares.

O Sul da Flórida continua se destacando em relação ao restante do estado. Os condados de Miami-Dade, Broward e Palm Beach permanecem altamente atrativos para compradores nacionais e internacionais de alto poder aquisitivo, sustentados por um forte volume de transações à vista e pela demanda consistente por imóveis de luxo. Miami, em particular, continua se beneficiando da concentração de compradores com recursos próprios e da migração de patrimônio para a região.

Já o Sudoeste da Flórida, incluindo Fort Myers e Cape Coral, entrou em uma fase mais equilibrada após o boom imobiliário do período pós-pandemia. O aumento da oferta, o maior tempo de permanência dos imóveis no mercado e o fortalecimento do poder de negociação dos compradores refletem essa mudança.

Olhando para o restante de 2026 e para 2027, a direção do mercado dependerá principalmente das taxas de juros hipotecárias, dos custos de seguro, da disponibilidade de crédito para condomínios e do comportamento da oferta. O cenário mais provável é de estabilização gradual, com os imóveis de luxo e os mercados impulsionados por compradores à vista apresentando desempenho superior à média.

A conclusão é clara: a Flórida por ser um estado republicano, com incentivos fiscais, continua sendo um dos mercados imobiliários mais dinâmicos dos Estados Unidos. E como sabemos, o estado preferido dos brasileiros para morar como para investir. 

No entanto, com o final da guerra com o Irã, o cenário é de equilíbrio, até mesmo mais promissor. 

Com o acordo de paz sendo assinado, e não havendo nenhuma mudança na atual projeção, o sucesso dependerá cada vez mais da localização, do tipo de imóvel e da capacidade dos investidores e compradores de navegar em um ambiente mais seletivo, competitivo e sofisticado. E não podemos nunca nos esquecer que como investimento imobiliário tudo depende de preço e localização.

Wednesday, June 3, 2026

Mercado Imobiliário Americano 2026: O Fim da Euforia e o Retorno da Realidade

 


Por incrível que pareça já estamos no meio do ano de 2026. 

O Presidente Donald Trump, já praticamente quase na metade do seu segundo e último mandato, se esforçando junto com a sua equipe econômica, desafios do país, incluso guerra, tentando acertar o desastre econômico deixado pelo seu antecessor democrata, Joe Biden. 

Depois de anos de valorização quase irracional, o mercado imobiliário americano entrou oficialmente em uma fase de ajuste psicológico e financeiro. Os juros elevados continuam pressionando compradores, investidores e até grandes construtoras. O sonho da casa própria nos Estados Unidos não acabou, mas ficou mais caro, seletivo e profissional. Um dos cobiçados ítem do American Dream nunca sairá de moda.

Em várias regiões do país, especialmente na Flórida, Texas e Arizona, o estoque de imóveis começou a aumentar novamente. Muitos vendedores ainda insistem em preços da época da pandemia, enquanto compradores aguardam reduções mais agressivas. O resultado? Casas permanecendo mais tempo no mercado e negociações mais duras.

Outro fator importante é o aumento do custo do seguro residencial e dos impostos imobiliários, principalmente em estados costeiros. Em cidades como Miami, muitos proprietários estão descobrindo que o custo de manter um imóvel pode ser tão pesado quanto financiá-lo.

Ao mesmo tempo, investidores experientes enxergam oportunidade no caos. O mercado americano nunca para completamente; ele apenas muda de mãos. 

Quem tem capital, estratégia e visão de longo prazo começa a encontrar ativos descontados, construtoras pressionadas e proprietários cansados financeiramente.

O maior erro agora é analisar o mercado com emoção. O ciclo atual exige racionalidade, fluxo de caixa e capacidade de negociação. A era do “qualquer imóvel sobe” acabou.

Nos Estados Unidos, o mercado imobiliário continua sendo um dos pilares da economia. Mas em 2026, sobreviverão os profissionais preparados, não os aventureiros seduzidos pela fantasia de dinheiro fácil.

Monday, May 25, 2026

Você sabe o que é imóvel zumbi nos Estados Unidos?

 



O imóvel chamado ZUMBI, na verdade é em cima da hipoteca.

Isso ocorre quando o proprietário, ao receber uma notificação de execução hipotecária, decide deixar o imóvel antes do prazo legal exigido, deixando-o vazio.

O problema é que, enquanto o processo não se encerra, a titularidade do imóvel continua sendo do proprietário, gerando assim uma série de obrigações financeiras, como pagamento de impostos, taxas de condomínio e despesas de manutenção.

Caso essas contas não sejam honradas, o proprietário pode enfrentar ações judiciais e danos à pontuação de crédito, comprometendo futuras possibilidades de financiamento.

Com esse difícil momento que os Estados Unidos atravessam devido a guerra, e ainda grande residual de 4 anos do governo anterior, o início desse segundo trimestre de 2026, está havendo um aumento de imóveis em execução hipotecária abandonados pelos proprietários antes do fim do processo, o que por um lado é preocupante mas uma grande oportunidade para os investidores imobiliários.

Dados de uma empresa de análise de dados diz que quase 1.4 milhões de imóveis estavam desocupados no segundo trimestre, sendo que 245.000 estavam sendo executados, sendo 8.312 nessa categoria, o que representa 3.4% do mercado executado.

Por que isso acontece? O proprietário recebe a notificação de execução e abandona o imóvel antes do prazo legal, mas continua sendo o titular e responsável por impostos, taxas e manutenção, mesmo sem morar lá.

Apesar de nesse universo ter regiões republicanas, é nítido que existe uma maior concentração nas regiões democratas, onde inclusive já está aumentando a inadimplência. Por que será? Coincidência?

Apesar dos desafios, o cenário reflete um mercado de execuções hipotecárias tentando se normalizar após anos atípicos.

Para os investidores e compradores mais atentos e oportunista, vale a pena prestar muita atenção porque nesses momentos é que fortunas são criadas.

Wednesday, May 6, 2026

Qual o deficit habitacional dos EUA hoje e por que?


Apesar do preço da gasolina devido o fechamento do Estreito de Hormuz, os Estados Unidos apontam para uma recuperação histórica logo após o acordo de paz com o Irã. E isso poderá acontecer em dias, senão em horas enquanto escrevo essa matéria.

Com essa recuperação, um outro desafio começa a surgir no horizonte, e dessa vez é doméstico: o preço dos imóveis.

Hoje, os Estados Unidos atravessam um dos maiores déficits habitacionais de sua história recente. Estimativas de entidades do setor imobiliário mais comedidos, apontam que o país possui uma carência entre 15 a 20 milhões de moradias no mínimo, resultado de mais de uma década de construção insuficiente diante do crescimento populacional e da alta demanda por imóveis.

Dois grandes problemas são apontados como causadores.

Problema 1 – considerado como o início, o deficit se agravou após a crise financeira de 2008, quando milhares de construtoras fecharam as portas e o ritmo de novas obras despencou. Desde então, o mercado americano não conseguiu recuperar plenamente sua capacidade de entrega. Além disso, juros elevados, aumento no custo de materiais e escassez de mão de obra elevaram ainda mais os preços dos imóveis e dos aluguéis.

Problema 2 – o plano de imigração do governo Biden de escancarar as fronteiras para qualquer imigrante entrar no país. Como números que variam de 15 à 25 milhões de pessoas que chegaram ao país em meses de desgoverno, esse deficit aumentou mais ainda.

As regiões mais desabastecidas atualmente são o Nordeste e parte do Centro-Oeste americano. Estados como Nova York, Connecticut, Maryland e regiões da Pensilvânia apresentam forte pressão de demanda e pouca oferta de novas construções, o que mantém os preços elevados. Caso você não tenha atentado para o detalhe, estados democratas.

Isso mesmo, o déficit habitacional é mais acentuado em estados tradicionalmente democratas, devido aos incentivos que eles oferecem aos menos privilegiados, e as “loucas” regras urbanísticas, restrições ambientais para proteção da borboleta que voa somente a 3 metros acima da superfície ou do mosquito de uma só asa, claro que estou sendo sarcástico, mas é a realidade, e dificuldades para aprovação de novos projetos imobiliários. Califórnia e Nova York são exemplos clássicos desse cenário.

Já estados republicanos, especialmente no Sul, como Texas e Flórida, têm conseguido ampliar mais rapidamente a oferta habitacional graças a regulações menos restritivas e maior expansão territorial. Ainda assim, o crescimento populacional acelerado também começa a pressionar esses mercados.